Destaques noites + Três dezenas de filmes, música, exposições e concertos.

Contando com uma selecção de mais de trinta títulos, nas áreas do documentário, ficção e animação, decorre de 10 a 18 de Agosto, o VII Festival Internacional de Cinema de Marvão e Valência de Alcântara.
Esta é a sétima edição de um festival itinerante que aproxima as populações vizinhas de Portugal e Espanha, levando o cinema de autor a aldeias e lugares isolados daquela zona da raia.

A abertura oficial acontece a 10 de Agosto, no Castelo de Marvão, com a projecção do filme “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos“, de João Salaviza e Renée Nader Messora, numa sessão que contará com a presença dos realizadores.
O filme, distinguido na edição do presente ano do Festival de Cannes com o prémio especial do júri, foi rodado ao longo de nove meses numa aldeia indígena da tribo Krahô, no Brasil.
Igualmente filmado no Brasil, o documentário ‘As Hiper-mulheres‘, de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro, poderá ser visto no dia seguinte, 11 de Agosto, no Centro Cultural de Marvão, numa sessão que visa assinalar o ano Internacional das Línguas Indígenas 2019.
A mesma sessão incluirá ainda uma apresentação do povo Sami (Finlândia) por Rosa Maren Maga e um debate com a participação do antropólogo espanhol António Pérez e de Júlio Henriques, escritor e editor da revista Flauta de Luz, no qual se abordará a situação dos povos indígenas e comunidades tradicionais no mundo de hoje.

O programa do presente ano continua a dar particular ênfase ao cinema mais recente produzido nos dois países ibéricos, quer na área do documentário quer no campo da ficção.
Neste âmbito, assinale-se a exibição de filmes de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt (Diamantino), Rita Maia e Vasco Viana (Batida Lisboa), Nicholas Oulmann (Debaixo do Céu), Javier Fesser (Campeones) e Salvador Simó Busom (Buñuel en el labirinto de las tortugas).

Um especial destaque vai para a pré-estreia do documentário sobre o escritor moçambicano Mia Couto “Sou autor do meu nome”, da cineasta sueca (naturalizada portuguesa) Solveig Nordlund.
O nome de Mia Couto está igualmente associado, enquanto autor da história, ao filme Mabata Bata, do realizador moçambicano Sol de Carvalho, que será exibido no último dia do Festival, em Galegos.
Tal como vem acontecendo em edições anteriores, os filmes são, maioritariamente, apresentados em sessões nocturnas, ao ar livre, em território português e espanhol.

A singularidade dos palcos é, de resto, uma das marcas que distingue o festival, contando-se entre aqueles os castelos das duas principais localidades (Marvão e Valência de Alcântara), uma estação de comboios desactivada (Beirã), as ruas e praças de diversos centros históricos, as ruínas de uma cidade romana (Ammaia) ou, este ano pela primeira vez, uma praça de touros (Santo António das Areias).

Para além dos lugares referidos, o Festival marcará presença em Castelo de Vide, Fontanheira, Portagem, Cedillo, Zarza la Mayor e Malpartida de Cáceres, dando a conhecer aspectos da história e do património dos sítios, através de iniciativas várias, que incluem visitas guiadas e passeios pedestres.

Na edição deste ano, há a registar uma forte componente musical, estando previstos diversos concertos com músicos de várias origens.
Arthur Dente, músico francês de origem portuguesa, actuará na sessão de abertura dia 10, no castelo de Marvão, em conjunto com a sua filha Valentine Dente.
A banda colombiana Haga que Pase, em digressão pela europa, apresenta-se no domingo, dia 11, no anfiteatro da Portagem, para um concerto de world music.
A Dj set Rádio Mundo animará o espaço do bar Cais Coberto, na estação da Beirã, após a sessão de cinema que aí terá lugar, na noite de 14 de Agosto, com os sons das “tradições e identidades que a globalização trancou”.
Por seu turno, o músico angolano Alberto Mundi traz-nos as quentes sonoridades de África ao lagar-museu dos Galegos, para o encerramento do festival, a 18 de Agosto.
Para estes dias, estão igualmente agendadas exposições e debates, no âmbitos de painéis habituais sobre meio ambiente e direitos humanos.
A programação do festival integra ainda um conjunto de sessões em sala, promovidas em parceria com o Festival CineEco (Seia), a Associação Cabeçudos – Cabeças com Ideias, e o Instituto Politécnico de Portalegre.

Nos dias 3 de Agosto, em Zarza la Mayor (Cáceres, Espanha), e 20 de Agosto, no Museu Vostell de Arte Contemporânea (Malpartida de Cáceres), decorrerão sessões especiais em que serão apresentados, respectivamente, “Campeones”, de Javier Fesser, e “Jaar, el Lamento de Las Imágenes”, de Paula Rodriguez Sickert.

O Periferias conta, em Portugal, com os apoios da Câmara Municipal de Marvão, do Orçamento Participativo de Portugal, Direcção Regional de Cultura do Alentejo, da Comissão de Coordenação Regional do Alentejo e do Turismo de Portugal. Do lado espanhol, os principais apoios são os da Junta de Extremadura, da Filmoteca da Extremadura, da Diputacion de Cáceres e Ayuntamiento de Valencia de Alcántara. A nível europeu, o Festival tem o apoio do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional e do Programa Euroace (Alentejo, Centro, Extremadura).